Medida da relação terapêutica na Terapia de Aceitação e Compromisso

Autores

  • Ana Claudia Rodrigues Ferreira
  • Jocelaine M. Silveira

DOI:

https://doi.org/10.18761/PAC.ACT.0077

Palavras-chave:

Terapia Baseada em Processos, Terapia de Aceitação e Compromisso, relação terapêutica, fatores comuns, fatores inespecíficos

Resumo

 

Os aspectos intrapessoais da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) são frequentemente destacados na literatura. Entretanto, sabe-se que fatores interpessoais não específicos têm implicações nos resultados de diversos tratamentos. O presente estudo tem o objetivo de ilustrar, com o uso de um instrumento de medida da relação terapêutica desen­volvido em português e amplamente usado no Brasil, como os aspectos interpessoais podem influenciar um tratamento em ACT. O método consistiu em um estudo de caso, do qual par­ticiparam duas mulheres idosas (72 e 68 anos) com queixas de desânimo e de diminuição do engajamento em atividades prazerosas, há mais de um ano. Elas foram recrutadas e seleciona­das no contexto de uma pesquisa sobre atividades estruturadas na ACT, com foco em valores. Foram realizadas 16 sessões. A primeira e a 16ªforam entrevistas de avaliação e aplicação de instrumentos. Os instrumentos usados foram: Escala de Depressão em Geriatria (GDS) para caracterização e checagem dos critérios de exclusão; Versão adaptada e validada para o Brasil do Acceptance and Action Questionnaire-II (AAQ-II), Versão do Questionário de Valores de Vida (VLQ), ambos para caracterização e finalmente, o Sistema Multidimensional para a Categorização de Comportamento na Interação Terapêutica (SiMCCIT), ao qual foram adicionadas subcategorias para o presente estudo. Quanto aos resultados, são descritas corre­lações entre verbalizações do terapeuta na interação com uma das participantes, tomando-as como indicativas de processos de flexibilidade psicológica. As medidas da outra participante no SiMCCIT foram desconsideradas para análise, uma vez que o índice kappa de concordân­cia interobservadores foi baixo. Os escores dos demais instrumentos foram analisados para ambas as participantes a fim de caracterizá-las no começo e ao final das 16 sessões. Discute-se como os aspectos interpessoais da ACT podem ajudar a compreender medidas de resultado e lançar luz sobre processos a serem considerados na Terapia Baseada em Processos (TBP). Dentre as limitações do estudo, destaca-se a impossibilidade de determinar o efeito das 16 sessões aplicadas a cada participante, uma vez que não há reversão das condições do estudo ou parâmetros de estabilidade das medidas. O índice kappa baixo também constitui uma li­mitação para as análises. A falta de validade externa é outra limitação importante. Por outro lado, o caráter exploratório do relato dos atendimentos às duas idosas, relacionando medidas de processo e resultado apresenta valor heurístico.

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Publicado

11-11-2025

Como Citar

Ferreira, A. C. R., & Silveira, J. M. (2025). Medida da relação terapêutica na Terapia de Aceitação e Compromisso. Perspectivas Em Análise Do Comportamento, 340–356. https://doi.org/10.18761/PAC.ACT.0077